Em agosto, a Anvisa aprovou a primeira semaglutida genérica do Brasil. Uma semana depois, veio a segunda.
Para o paciente, a notícia soa como esperança de preço menor. Para a clínica de emagrecimento, ela pede uma reflexão mais profunda. Quando o medicamento que todo mundo procura fica mais acessível, o que faz o paciente escolher a sua clínica?
Eu já vi esse filme antes
O emagrecimento faz parte da minha história. Comecei na nutrição funcional e na ortomolecular, e em 2016 fundei a minha primeira escola para profissionais de saúde, o Instituto Salva Vidas, focada no tratamento da obesidade. O nome tinha um motivo. Quem trata a obesidade de verdade, tratando também a parte emocional e comportamental, salva uma vida. Muitas vezes a pessoa está com depressão, rendendo menos no trabalho, perdendo o relacionamento.
Nesses anos todos, eu vi muitas “soluções milagrosas” para o emagrecimento chegarem, virarem febre e se popularizarem. E toda vez a história se repetiu: Quem vendia só o produto passou a disputar preço. Quem vendia acompanhamento cresceu.
Com as canetas, vai acontecer a mesma coisa. Só que numa escala muito maior.
O que a Anvisa aprovou
A primeira semaglutida genérica foi aprovada em 17 de agosto de 2026. A segunda, em 24 de agosto. As duas têm indicação aprovada para adultos com diabetes tipo 2 e exigem receita em duas vias, com retenção na farmácia.
O preço ainda depende das estratégias de cada fabricante, e o próprio setor fala em uma redução gradual, ao longo dos próximos meses e anos. Ou seja: A queda de preço vai acontecer, mas aos poucos.
Um mercado bilionário, e cada vez mais disputado
O tamanho desse mercado impressiona. Segundo dados da CloseUp International reunidos pelo portal Viva, só três canetas somaram mais de R$ 13 bilhões em faturamento no Brasil entre maio de 2025 e maio de 2026. Um estudo citado pela Abrafarma estima que 5,5% dos brasileiros já usam esse tipo de medicamento. E uma pesquisa da Febrafar mostra que só 28% dos pacientes elegíveis conseguem pagar pelo tratamento.
A demanda também não para de crescer. Segundo o Vigitel, do Ministério da Saúde, o número de adultos com obesidade no Brasil cresceu 118% entre 2006 e 2024.
Junte as duas coisas. Quando o preço cair, uma multidão de novos pacientes vai procurar o tratamento. E uma multidão de novos concorrentes vai aparecer para atendê-los: Farmácias, telemedicina, clínicas de volume.
O que os estudos dizem sobre parar o tratamento
Aqui está o ponto que muda tudo para a clínica de alto padrão.
No estudo STEP 1, um dos principais sobre a semaglutida no tratamento da obesidade, os participantes perderam em média 17,3% do peso em 68 semanas. Na extensão do estudo, publicada em 2022 no Diabetes, Obesity and Metabolism, os pesquisadores acompanharam quem parou de usar o medicamento. Um ano depois, essas pessoas tinham recuperado cerca de dois terços do peso perdido. A conclusão dos autores foi que o tratamento contínuo é necessário para manter os ganhos de peso e de saúde.
E manter um paciente em tratamento contínuo está longe de ser simples. A Organização Mundial da Saúde já mostrou, no relatório Adherence to Long-Term Therapies, que só cerca de metade dos pacientes com doenças crônicas segue o tratamento de longo prazo nos países desenvolvidos.
Em outras palavras, o desafio do emagrecimento sempre esteve no acompanhamento. A caneta resolve uma parte. Quem fica ao lado do paciente durante a jornada inteira resolve o resto.
“Não existe alta para a saúde, para o bem-estar, para a longevidade. Existe a fase de tratamento e a fase de manutenção.”
Quando o produto vira commodity, o acompanhamento vira o diferencial
Se a sua clínica é conhecida por “prescrever a caneta”, você está a um passo de competir com quem cobra menos. E nessa disputa sempre aparece alguém mais barato.
Eu sempre peço aos médicos que acompanho: Tirem do vocabulário a palavra procedimento. O paciente de alto padrão compra transformação. Ele quer emagrecer com saúde, sem perder massa muscular, sem efeito sanfona, com alguém olhando para o corpo inteiro dele.
Ele também enxerga a saúde de outro jeito. O paciente emergente costuma ver a saúde como gasto. O paciente de alto padrão vê como investimento. E é aqui que entra o conceito que eu chamo de Saúde de Luxo®. Tratar a doença é o necessário. Prevenir, ganhar qualidade de vida, envelhecer bem e manter o resultado é o que vai além do necessário. E é por isso que esse paciente paga.
“Ele não quer apenas fazer uma consulta, ir para casa e voltar daqui a tantos dias. Ele quer ser acompanhado. Ele quer ser cuidado.”
O que a clínica de alto padrão entrega e a farmácia não
- Avaliação completa, com exames, histórico e objetivos de vida, antes de qualquer prescrição.
- Protocolo de tratamento completo, com alimentação, atividade física, sono e saúde emocional trabalhando juntos.
- Acompanhamento próximo, com retornos programados e uma equipe que sabe quando cada paciente precisa voltar.
- Plano de tratamento, para que o resultado dure depois da fase de tratamento.
- Experiência de luxo, do primeiro contato no WhatsApp até a consulta em que o paciente vê o próprio resultado.
Nada disso cabe numa caixa de remédio. E é exatamente isso que o paciente de alto padrão procura.
A pergunta que todo médico do emagrecimento precisa fazer agora
Se amanhã a caneta custasse metade do preço em qualquer farmácia, o seu paciente ainda teria motivo para estar na sua clínica?
Se a resposta for sim, você constrói um protocolo. Se a resposta for não, você ainda vende um produto. E o momento de mudar é antes do preço cair.
Quem só vende procedimento vai disputar preço. Quem constrói protocolo, acompanhamento e experiência vai disputar o paciente que mais cresce no Brasil.
Gládia Bernardi, Fundadora do Instituto Saúde de Luxo®
CTA: Se a sua clínica trabalha com emagrecimento e você quer que o paciente escolha você pelo acompanhamento, e não pelo preço da caneta, faça a sua aplicação para as consultorias do Instituto Saúde de Luxo.











